Nesse espaço eu gostaria de falar sobre o papel das emoções ao longo da vida do sujeito. Algumas são mais agradáveis e confortáveis da pessoa sentir enquanto que outras geram uma sensação maior de desconforto, no entanto elas são necessárias ao longo do desenvolvimento do indivíduo para compreender a si mesmo e aquilo que acontece a sua volta. Sobre as 4 emoções básicas, a alegria serve para estabelecer vínculos com outras pessoas, confere estado de serenidade e satisfação e estimula a cooperação entre os sujeitos. O medo serve para advertir sobre os perigos, avaliar o evento em si e percebê-lo como uma possível ameaça ou não. A partir disso, o sujeito evita a situação ou desenvolve estratégias para lidar com ela de maneira mais eficaz. É uma forma de proteção mediante a possibilidade de perigo. A raiva serve para descarregar um peso extra que a pessoa sente. Em excesso ela pode se prejudicial, porém é muito útil em situações que a pessoa se sente injustiçada e pode servir como fator motivador, desde que na dose certa. Por fim a tristeza. Tão negligenciada nos tempos atuais em que não se pode ficar triste nunca, do contrário torna-se imprescindível a medicação para por um fim nisso. Ela é fundamental, pois permite o vínculo com pessoas importantes afetivamente. Serve para tornar o sujeito mais consciente da situação, pois nos momentos tristes é comum a pessoa refletir sobre atitudes, pessoas e eventos.
Para além dessas funções, as emoções são importantes em termos biológicos, pois induzem alterações corporais e na fisiologia do corpo, exemplo a alegria que aumenta a secreção de endorfinas, substâncias que atinge o cérebro proporcionando bem-estar. A nível psicológico, pois afetam as funções cognitivas como memória, pensamento, raciocínio e linguagem. E a nível social porque influenciam nas interações entre as pessoas, o desempenho profissional e estilo de vida que a pessoa adota. Ao longo da minha trajetória no consultório e no acompanhamento dos pacientes em hospitais, observo que o cliente a fim de se encaixar em uma situação ou evitar um possível sofrimento, as vezes o sujeito tenta suprimir essas emoções, principalmente as “negativas” por acreditar ser mais saudável. Com o tempo observa-se que isso se torna disfuncional e prejudica a vida do sujeito.
Um dos objetivos da terapia reside justamente em permitir que o cliente expresse suas emoções em vez de negá-las, de modo que ele possa experienciar o fenômeno da maneira como ele se apresenta. A medida que ele desenvolve essa habilidade isso o ajuda a gerenciar melhor as suas atitudes, conflitos e situações estressantes no sentido de promover mudanças significativas. Como dito anteriormente não há problema em sentir, a dificuldade está em canalizar essa emoção de maneira produtiva mesmo que a princípio ela pareça ruim. A psicoterapia serve para auxiliar o cliente nesse processo.
