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Depressão e suicídio em idosos

setembro 23, 2018adminArtigos

O mês de setembro foi escolhido como o mês mundial de prevenção ao suicídio. Aqui no Brasil é nomeado como setembro amarelo para sinalizar a campanha voltada para a prevenção do suicídio. Configura-se como uma iniciativa do CVV em associação com o conselho Federal de Medicina e a Associação Brasileira de Psiquiatria. Nesse mês, vários orgãos de apoio a saúde mental, assim como associações de familiares de vítimas de suicídio realizam uma mobilização em prol desse tema, uma vez que ainda hoje não recebe a devida atenção por parte da sociedade e dos profissionais de saúde. O suicídio é um tema tabu e muitas pessoas desconhecem o quanto isso afeta o sujeito. Nesse espaço irei aproveitar para discorrer sobre um segmento em particular, cujos indíces de suicídio aumentaram consideravelmente, no caso, a população idosa.

No Brasil, a expectativa de vida aumentou consideravelmente a partir de algumas décadas. O número de idosos no país em 1960 era de 3 milhões, depois em 1975 passou para 7 milhões e no ano de 2008 já estava em torno de 20 milhões de idosos (Veras, 2009). O levantamento feito pelo IBGE em 2013 mostra que a proporção de idosos no ano de 2012 é de 26,1 milhões de pessoas e estimativas sugerem que em 2020, o Brasil será o sexto maior país do mundo constituído por população idosa, algo em torno de 30 milhões de idosos (Carvalho & Garcia, 2003). Contudo, esse aumento da longevidade não corresponde necessariamente a melhoria na qualidade de vida dos idosos. Cada vez mais idosos buscam serviços de saúde, uma vez que o envelhecimento traz questões específicas como o declínio da saúde física e maior carga de doenças e incapacidades.

Quanto mais as pessoas envelhecem, mais suscetíveis as doenças elas se tornam. Algumas pesquisas em comunidades brasileiras mostram que os transtornos de humor, no caso de enfermidades psíquicas, são as desordens comumente encontradas em idosos, destacando-se o transtorno depressivo maior e a distimia (Barcelos-Ferreira, Izbicki, Steffens & Bottino, 2010). Ainda segundo esses autores, em geral os transtornos são subdiagnosticados e não são tratados adequadamente, o que leva ao risco de maior dependência emocional e até mesmo risco de suicídio. A partir disso decorre a necessidade de um olhar mais atento a esse segmento e avaliação mais acurada para detectar os transtornos e aliviar seus sintomas, a fim de que eles não se tornem crônicos.

Sobre o diagnóstico, Scalco e colaboradores (2006) argumentam a dificuldade em precisar o diagnóstico de depressão em idosos, segundo o CID10, pois os critérios dos mesmos foram estabelecidos tendo como princípio norteador adultos jovens. Os idosos têm particularidades, uma vez que tendem a expressar os sintomas em formas de outras queixas e não se sentem confortáveis em admitir a existência de sintomas psiquiátricos. Neste caso é importante considerar mais os sintomas depressivos e não a síndrome para detectar a depressão em idosos.

Minayo e Cavalcante (2010) analisaram os fatores associados ao risco de suicídio em idosos através de uma revisão sistemática de 52 publicações e observaram que os transtornos mentais, principalmente a depressão grave estavam intimamente ligados a tentativa de suicídio. Um dos possíveis fatores que podem estar relacionados com os sintomas de depressão em um grupo de idosos, observou-se a perda do cônjuge e a falta de suporte social (Fernandes, Nascimento & Costa, 2010). Em corroboração a afirmativa anterior, Leite (2006) defende que a medida que o sujeito envelhece, os idosos se tornam mais suscetíveis a problemas de saúde, dificuldades financeiras, perdas afetivas e sociais, justificando assim a necessidade de assistência maior.

A depressão é um dos transtornos que mais afetam o idoso que apresenta particularidades diferenciadas de outras fases de desenvolvimento. O idoso com depressão apresenta declínios cognitivos e alterações na fisiologia do organismo, além das mudanças que ocorrem como a perda de parentes próximos, do companheiro e outras figuras importantes do ponto de vista da referência pessoal.

Avaliação médica ajuda a diagnosticar a depressão em idosos

Atividades em grupo agem como fator de suporte emocional em idosos

 

Atividade física para idosos é recomendado

Nesse sentido configura-se fundamental que o idoso esteja em um ambiente saudável, acompanhado de pessoas próximas a fim de evitar sentimentos de isolamento, inutilidade ou ideias suicidas. Esse transtorno é uma doença complexa que envolve fatores físicos, psicológicos e sociais, sendo o seu tratamento uma combinação do acompanhamento e presença de familiares, uso de medicamentos, caso seja necessário, e por fim auxílio de psicoterapia. Esta, com enfoque cognitivo-comportamental em muito pode auxiliar no tratamento da depressão em idoso, uma vez que esse transtorno é resultado da presença de esquemas disfuncionais que fazem com que o sujeito veja a si, aos outros e o mundo com visão negativa, pessimista e irrealista. A TCC irá trabalhar com a reestruturação dos pensamentos e crenças disfuncionais que estão na origem do transtorno, através de variadas intervenções tais como: resolução de problemas; tratamento em grupo; reestruturação cognitiva; desenvolvimento de habilidades cognitivas; trabalho com memória e esquecimento, dentre outros.

Referências:
Barcelos-Ferreira, R., Izbicki, R., Steffens, D.C., Bottino, C.M. (2010). Depressive morbidity and gender in communitydwelling Brazilian elderly: systematic review and meta-analysis. International Psychogeriatrics, 22, 712-26.

Carvalho, J.A.M., & Garcia, R.A. (2003) O envelhecimento da população brasileira: um enfoque demográfico. Cad. Saúde Publica, 19 (3), 725-733.

Fernandes, M.G.M., Nascimento, N.F.S., Costa, K.N.F.M. (2010). Prevalência e
determinantes de sintomas depressivos em idosos atendidos na atenção primária de
saúde. Rev. Rene, 11 (1), 19-27.

Leite, V.M.M., Carvalho, E.M.F., Barreto, K.M.L., Falcão, I.V. (2006). Depressão e envelhecimento: estudo nos participantes do Programa Universidade Aberta à Terceira Idade. Rev.Bras.Saúde.Mater.Infant, 6 (1), 31-38.

Minayo, M.C.S., & Cavalcante, F.G. (2010). Suicídio entre pessoas idosas: revisão de
literatura. Rev. Saúde Pública, 44 (4), 750-757.

Scalco, Z.M., Scalco, Z.A., Miguel, E.C. (2006) Transtornos psiquiátricos: depressão, ansiedade e psicoses. In: Filho, E.T.C., Netto, M.P. (Org.). Geriatria, fundamentos, clínica e terapêutica, (2a ed.). São Paulo: Atheneu.

Veras, R. (2009) Envelhecimento populacional contemporâneo: demandas, desafios e inovações. Rev. Saúde Pública, 43 (3), 548-554.

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